Mulheres no setor de Tecnologia da Informação

Postado em 29/05/2018
Carreira

As profissionais têm só 20% dos empregos e ganham 30% a menos!

O setor de Tecnologia da Informação (TI) gera mais de 1,3 milhão de empregos no Brasil e, conforme dados da Softex, tem um déficit de mais de 48 mil profissionais que, se não for suprido, poderá ocasionar perdas de receita da ordem de R$ 115 bilhões até 2020.

Mesmo carente de mão de obra, este mercado ainda repele muitas candidatas a suprir tais vagas em aberto. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, só 20% dos profissionais que atuam no mercado de TI são mulheres. Uma escassez que não é exclusividade nacional: censo feito pelo governo norte-americano mostra que por lá apenas 25% das vagas do segmento são ocupadas por mulheres, que ganham em média 10 mil dólares a menos que homens em cargos semelhantes.

Atuante no mercado de TI há mais de 10 anos, Simone Kosmalski, diretora da TargetTrust e Conselheira do Sindicato das Empresas de Informática do Rio Grande do Sul (SEPRORGS), afirma que o cenário é de escassez, mas também de oportunidade.

Para ela, é preciso explorar as características femininas como um diferencial. “Há características comuns às mulheres, como atenção aos detalhes, criatividade, empatia, solução de problemas e tantas outras. Eu, particularmente, não sofri preconceito: onde trabalhei como desenvolvedora e analista de sistemas, tínhamos os salários equiparados. Acho que com o crescimento da mulher no mercado de trabalho a tendência é estas diferenças diminuírem. Vamos torcer”, projeta.

Mas apesar da perspectiva otimista, a restrição da TI às mulheres ainda é visível.

Vamos a exemplos. Entre as gigantes do setor, o Google, a Apple e o Twitter empatam em 30% no percentual de mulheres entre seus funcionários. O Facebook tem um pouquinho a mais, batendo em 31%. Já um relatório da Harvard Business School mostra que só 10% dos aportes financeiros são feitos em startups comandadas por mulheres.

E a raiz do problema não está, ao contrário de outras questões de desigualdade, atrelada ao grau de educação. Segundo o IBGE, as profissionais de TI do sexo feminino têm grau de instrução mais elevado do que os homens do setor no Brasil, mas, mesmo assim, ganham 34% menos do que eles.

Dias melhores virão?

Por mais difícil que pareça, o cenário deve apresentar melhoras – ainda que no longo prazo. O estudo CEO Gender Gap Analysis of the S&P Euro 350 and S&P 500, realizado pela S&P Global Market Intelligence, mostra que um dos efeitos da atual chamada “transformação digital” irá minimizar as diferenças de gênero no setor, com a força especial de segmentos como as mídias sociais e startups.

Ações que mudam a cena

Alguns movimentos buscam trabalhar para a mudança deste quadro. Um exemplo é o Software Engineering Day (SE Day), evento realizado pela PUC-RS para debater o mercado de Engenharia de Software que ganhou, em 2018, pauta principal no tema da mulher no mercado de trabalho.

“Tendo em vista esta percepção, algumas iniciativas de atração de meninas do ensino médio para cursos de tecnologia e de acolhimento das mesmas nos cursos de graduação precisam ser feitas, sendo estas prioritárias para nossa atual gestão”, acrescenta Ana Paula Terra Bacelo, professora e coordenadora do Curso de Engenharia de Software da PUC-RS. “Trazer esta temática para o SE Day foi uma forma de mobilizar a comunidade acadêmica para esta discussão e, sobretudo, identificar ações de interesse dos envolvidos, como grupos de trabalho, oficinas tecnológicas, dentre outras”, completa.

Na área há 22 anos, a Consultora Técnica Sênior, Marcia Mayumi Kawagoe já presenciou de perto o preconceito por parte dos contratantes: ” Em duas entrevistas de emprego que participei, os entrevistadores demonstraram claramente não querer mulheres ocupando a vaga. Em uma delas, o entrevistador quis me induzir a não aceitar a vaga, alegando que o trabalho seria em período noturno e o local era perigoso. Já o outro, recrutador de uma multinacional, falou que não gostava de contratar mulher porque havia uma limitação em não conseguir carregar os equipamentos dentro de datacenter, caso fosse necessário”.

Marcia é uma exceção: seu salário é equiparado aos colegas homens do setor. Mas, solidária às demais mulheres da classe, ela se incomoda ao saber que a igualdade salarial não existe para todas.


Joy Moretti

Idealizado pela jornalista Joy Moretti, o Radar Feminino é feito para as mulheres modernas, que estão atentas a tudo que está acontecendo ao seu redor, e querem se manter informadas sobre os mais diversos assuntos. É uma maneira de exaltar e homenagear as grandes guerreiras que fazem diferença em nosso país e no mundo diariamente. "Quando uma mulher empodera a outra, ela está reafirmando o seu próprio poder!"

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