Desafio da maternidade

Postado em 19/08/2019
Maternidade

Como estou mudando a rotina do meu filho pré-adolescente

Aqui pelos blogs muito se fala sobre maternidade, sobre comportamento infantil e outros assuntos ligados à relação mamãe/filhos. Mas a verdade é que a maioria do conteúdo que encontro diz respeito à primeira infância.

No geral se fala sobre desmame, sobre a terrível fase dos dois anos, do primeiro dia na escolinha e de como montar uma lancheira saudável. Eu também acho essas informações de extrema importância, e se talvez lá atrás, quando o Lucas fosse menor, eu tivesse acompanhado esses conteúdos, teria sido mais fácil.

O fato é que aqui estou: com 35 anos, mãe de um pré-adolescente de 11. E a última coisa que quero saber é o novo sistema anti-vazamento da nova fralda. Então, decidi que eu mesma ia começar a escrever um pouco sobre essa fase em que o meu filho se encontra, quais são os desafios de lidar com um ser humano já bastante independente (e ao mesmo tempo inseguro), que já tem sua personalidade basicamente formada e que caminha a passos largos para a temida adolescência.

Não sou psicóloga, não sou pedagoga, não sou especialista, de forma alguma, em comportamento humano. Mas sou mãe. E diante de tudo que acontece, tento agir da melhor forma que posso. E hoje vou começar falando sobre como estou mudando a rotina diária do Lucas, a fim de ajudá-lo nos estudos.

O Lucas começou na escola com 2 aninhos. Eu trabalhava e estudava nessa época. Divorciada do pai dele, morávamos eu e ele com os meus pais, na Zona Leste de São Paulo. Durante o dia o Lucas ficava sob os cuidados da minha mãe, durante à tarde ficava na escola. Ele foi uma criança que se adaptou fácil ao ambiente escolar.

Não teve drama, não teve chororô. No fim, acho até que ele curtiu, afinal, sendo filho único, a escola foi também a chance de ele interagir e brincar mais com outras crianças. Nunca tive nenhuma queixa quanto ao comportamento dele na escola. “Um amiguinho solidário, bonzinho e educado”, era o que as professoras diziam.

Daí me casei novamente quando o Lucas tinha 6 anos. Mudamos para um bairro da Zona Sul e ele, obviamente, mudou de escola. Achei que essas mudanças todas iam interferir negativamente, mas não. Mais uma vez ele se adaptou muito bem à nova escola, aos novos amigos.

Os anos foram avançando e, a medida que isso acontecia, fui notando um aumento na dificuldade dele em realizar as tarefas. Normal, claro. A tendência é que a exigência seja maior com o avanço das séries, e que a gente comece a apresentar maior dificuldade em uma ou outra matéria com as quais não temos afinidades.

O sinal vermelho soou quando a coordenadora do colégio, sempre muito atenciosa, me chamou para dizer que o Lucas estava com o rendimento um pouco baixo para o que eles tinham como média, e que o cansaço dele era evidente. Levei um susto! Como assim cansaço?

O Lucas era aluno do integral: estudava no período matutino, mas ficava na escola até às 19h, fazendo atividades extracurriculares, lição de casa e lazer (na medida do possível do que se considera lazer na escola). Tomei essa decisão há anos porque tanto eu quanto o padrasto dele trabalhamos o dia todo. Logo, não tinha como ser diferente.

Mas senti o coração pesar. Mãe tem dessas coisas… se sente culpada. Tal qual quando os filhos são pequenos e precisam entrar na escola pra voltarmos a trabalhar. Senti como se estivesse deixando ele de lado.

Mas senti o coração pesar. Mãe tem dessas coisas… se sente culpada. Tal qual quando os filhos são pequenos e precisam entrar na escola pra voltarmos a trabalhar. Senti como se estivesse deixando ele de lado.

Ela explicou que a rotina de ficar o dia todo na escola o estava cansando. Que ele inclusive dormia nas aulas! Diante dessa situação, fiz o que pude: sabendo da flexibilidade que tenho em minha área de atuação, tire-o do integral.

Para facilitar nossa rotina, criei uma espécie de timesheet (uma lista com as atividades que ele deve realizar, com os horários pre-estabelecidos para a execução delas). Fica tudo numa lousinha atrás da porta do quarto dele, que atualizo diariamente.

Lá coloco tudo mesmo! O horário que ele vai chegar da escola, o horário que vai tomar banho, o que vai descansar (aqui vale ver TV, ler um livro, jogar um jogo ou até tirar uma soneca, mesmo!), que vai fazer lição de casa, que vai dormir… Dessa forma, demos também um limite à quantidade de tempo que ele ficava no video-game e no celular (essa geração tende a ficar hooooras diante deles).

Estamos fazendo essa experiência há 3 semanas. Mas já tenho notado uma diferença. Agora o Lucas se sente mais disposto pelas manhãs, melhor humorado também. Ele tem tirado sonecas ou visto filmes comigo, algo que raramente fazia, porque estava sempre no celular.

Até para fazer a lição ele está mais disponível. Ainda não sei se isso vai surtir efeitos nas notas, porque ele ainda não fez as provas desde a mudança, mas nossa expectativa é que impacte positivamente. Ele pareceu gostar das “regras”. Acho que no fim, ele estava precisando mesmo sentir essa “organização”, saber o que fazer e quando.

De bônus, estamos convivendo mais. Passando mais horas juntos, brincando, dando risada e conversando. Acho que foi um primeiro passo importante. Sei que nem todas as mães tem essa chance, de fazer esse tipo de mudança. Mas sei que se implantarmos algumas mudanças no pouco tempo que temos, já fará muita diferença.

E você, como está lidando com a rotina do seu filho?


Joy Moretti

Idealizado pela jornalista Joy Moretti, o Radar Feminino é feito para as mulheres modernas, que estão atentas a tudo que está acontecendo ao seu redor, e querem se manter informadas sobre os mais diversos assuntos. É uma maneira de exaltar e homenagear as grandes guerreiras que fazem diferença em nosso país e no mundo diariamente. "Quando uma mulher empodera a outra, ela está reafirmando o seu próprio poder!"

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