Feminicídios crescem 4% no Brasil e reforçam urgência da prevenção
Os feminicídios no Brasil cresceram 4% em 2025 e chegaram a 1.571 vítimas, média de 4,3 mulheres mortas por dia. Os dados reforçam o avanço da violência contra a mulher e a importância de reconhecer sinais de relacionamento abusivo, buscar apoio e denunciar ameaças, agressões e situações de risco.
O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, um crescimento de 4% em relação ao ano anterior. O número representa uma média de 4,3 mulheres mortas por dia por razões relacionadas ao gênero. Os dados reforçam a importância de reconhecer sinais de violência, fortalecer redes de apoio e buscar ajuda antes que as agressões se tornem ainda mais graves.
O número de feminicídios voltou a crescer no Brasil e revela uma realidade que exige atenção de toda a sociedade. Durante 2025, 1.571 mulheres foram assassinadas em crimes classificados como feminicídio, segundo dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
O total representa um aumento de 4% em comparação com 2024 e equivale a uma média de 4,3 mulheres mortas por dia por razões relacionadas à sua condição de gênero. A taxa nacional chegou a 1,4 vítima para cada grupo de 100 mil mulheres.
Feminicídio representou 44,4% das mortes de mulheres
Outro dado que chama a atenção é que 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil em 2025 foram vítimas de feminicídio. Esse foi o maior percentual registrado desde 2015, ano em que o feminicídio foi incluído na legislação penal brasileira.
Os números foram apresentados em uma reportagem do portal ClickFato sobre o crescimento dos feminicídios no Brasil, que também destacou o aumento das tentativas de feminicídio e o contraste com a redução geral das mortes violentas no país.
Mesmo com a queda de 8,2% no número total de mortes violentas intencionais, os feminicídios avançaram. Isso demonstra que a violência motivada por gênero apresenta uma dinâmica própria e não acompanha necessariamente a redução de outros crimes violentos.
Tentativas de feminicídio também aumentaram
O levantamento mostra que 4.189 mulheres sobreviveram a ataques registrados como tentativas de feminicídio em 2025. O número cresceu 5,9% em relação ao ano anterior.
Na prática, para cada feminicídio consumado, foram registradas quase três tentativas. Quando os crimes consumados e tentados são analisados em conjunto, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentam as maiores taxas de violência letal de gênero.
Essas tentativas representam mulheres que sobreviveram, mas que podem enfrentar consequências físicas, psicológicas, familiares e financeiras por muitos anos.
A violência nem sempre começa com agressão física
Muitos casos de feminicídio são precedidos por um histórico de controle, ameaças, perseguição, humilhação e agressões anteriores.
A violência doméstica pode se manifestar de diferentes formas:
- controle excessivo sobre roupas, amizades e horários;
- vigilância constante do celular e das redes sociais;
- ciúme apresentado como demonstração de amor;
- isolamento de amigos e familiares;
- chantagens e ameaças;
- humilhações, insultos e desvalorização;
- destruição de objetos pessoais;
- controle do dinheiro e dos documentos;
- perseguição após o término;
- agressões físicas e violência sexual.
Ameaças, manipulação, isolamento social, vigilância e limitação do direito de ir e vir também são formas de violência contra a mulher.
Esses comportamentos não devem ser normalizados como problemas comuns de relacionamento. Quando existe medo, controle, humilhação ou ameaça, é importante buscar apoio.
O término pode ser um momento de maior risco
Em relacionamentos abusivos, a tentativa de separação pode aumentar o risco de perseguição, ameaças e agressões.
Por isso, quando existe histórico de violência, o rompimento deve ser planejado com segurança. A mulher pode procurar familiares, pessoas de confiança, serviços especializados, delegacias, centros de referência e atendimento jurídico.
Também é importante preservar mensagens, registros de ameaças, fotografias, boletins de ocorrência e outras evidências que possam contribuir para a solicitação de medidas de proteção.
A vítima não deve ser responsabilizada pela violência sofrida. A responsabilidade é sempre de quem ameaça, agride, controla ou persegue.
Informação e prevenção podem ajudar
Conhecer melhor a pessoa antes de aprofundar um relacionamento pode ajudar a identificar informações contraditórias, comportamentos preocupantes e possíveis situações de risco.
Além de observar a forma como a pessoa trata mulheres, familiares, antigos relacionamentos e outras pessoas ao seu redor, é importante conversar com pessoas de confiança e não ignorar sinais que provocam medo ou insegurança.
A consulta de informações públicas e processos judiciais pode complementar essa avaliação. Entretanto, a existência de um processo não representa automaticamente uma condenação ou prova de culpa. Os dados devem ser analisados com responsabilidade, considerando possíveis homônimos, o contexto e a situação processual.
Nenhuma consulta substitui a atuação das autoridades, a orientação jurídica ou o acompanhamento dos serviços especializados de proteção à mulher.
Como denunciar e buscar ajuda
A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 — funciona gratuitamente durante 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.
O canal fornece orientações sobre direitos, informa onde encontrar serviços especializados e recebe denúncias de violência contra mulheres. A denúncia pode ser feita pela própria vítima ou por outra pessoa que tenha conhecimento da situação.
Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.
Não é necessário esperar que uma agressão se torne mais grave para procurar ajuda. Ameaças, perseguições, controle, humilhações e agressões anteriores também devem ser levados a sério.
Combater o feminicídio é responsabilidade de todos
O crescimento dos feminicídios mostra que a violência contra a mulher não pode ser tratada como um problema privado ou restrito ao casal.
Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho podem ajudar ao acolher a vítima, acreditar em seu relato, evitar julgamentos e orientar a busca por serviços especializados.
Romper o silêncio, reconhecer os sinais e fortalecer a rede de proteção são medidas fundamentais para evitar que diferentes formas de violência evoluam para agressões mais graves.
Em caso de violência, procure ajuda. Ligue 180 para orientação e denúncias. Em uma emergência, ligue 190.
Fonte
Portal ClickFato — Feminicídios crescem 4% no Brasil e chegam a 1.571 vítimas em 2025
20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Agência Brasil e Ministério das Mulheres.
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