AGOSTO LILÁS E PROTEÇÃO

Não seja a próxima vítima: no Agosto Lilás, informação, prevenção e união entre mulheres podem fazer a diferença

Agosto Lilás reforça a importância da prevenção à violência contra a mulher. Conheça a Lei Maria da Penha, aprenda a reconhecer sinais de alerta e entenda como informação, consultas e uma comunidade feminina podem fortalecer a proteção.

Não seja a próxima vítima: no Agosto Lilás, informação, prevenção e união entre mulheres podem fazer a diferença

Agosto é um mês para lembrar que a violência contra a mulher não começa necessariamente com uma agressão física.

Ela pode começar muito antes.

Pode surgir no controle disfarçado de cuidado, no ciúme apresentado como amor, nas humilhações tratadas como brincadeira, na tentativa de afastar a mulher das amigas e da família ou na pressão para controlar seu dinheiro, suas escolhas e sua liberdade.

O Agosto Lilás existe justamente para ampliar essa conscientização.

Instituído nacionalmente pela Lei nº 14.448/2022, o mês é dedicado à proteção da mulher e à conscientização pelo fim da violência contra as mulheres. A legislação prevê campanhas educativas, divulgação das formas de violência, fortalecimento das redes de suporte e orientação sobre mecanismos de proteção.

Em 2026, a mobilização possui um significado ainda mais especial: a Lei Maria da Penha completa 20 anos.

Não seja a próxima vítima — mas não carregue essa responsabilidade sozinha

Falar em prevenção não significa responsabilizar a mulher pela violência sofrida.

A responsabilidade pela violência é sempre de quem a pratica.

Prevenção significa oferecer mais informação, ferramentas e apoio para que comportamentos preocupantes possam ser reconhecidos mais cedo.

Quanto antes uma mulher percebe que determinados comportamentos não são normais, maiores são suas possibilidades de procurar orientação, fortalecer sua rede de apoio e tomar decisões com mais segurança.

A Lei Maria da Penha vai muito além da agressão física

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha criou mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher.

A legislação alcança situações ocorridas dentro da residência, nas relações familiares e também em relações íntimas de afeto, inclusive quando o casal não mora junto ou já não mantém a convivência.

Atualmente, a lei reconhece diferentes formas de violência doméstica e familiar:

  1. violência física;
  2. violência psicológica;
  3. violência sexual;
  4. violência patrimonial;
  5. violência moral;
  6. violência vicária.

A violência vicária foi incorporada expressamente à Lei Maria da Penha em 2026 e ocorre quando alguém pratica violência contra filhos, familiares, dependentes ou pessoas da rede de apoio da mulher com o objetivo de atingi-la, puni-la ou causar sofrimento.

Alguns sinais aparecem antes da violência se agravar

Nem sempre é fácil perceber que um relacionamento está se tornando abusivo.

No começo, determinados comportamentos podem parecer pequenos ou até ser confundidos com demonstrações de carinho.

Preste atenção quando existe repetição de situações como:

  1. querer saber onde você está o tempo inteiro;
  2. controlar roupas, amizades ou redes sociais;
  3. exigir senhas;
  4. tentar afastá-la das pessoas próximas;
  5. humilhar e depois dizer que era brincadeira;
  6. fazer você acreditar que todos os problemas são culpa sua;
  7. ameaçar terminar como forma de conseguir aquilo que deseja;
  8. controlar dinheiro ou impedir sua independência;
  9. destruir objetos ou documentos;
  10. pressionar para relações sexuais;
  11. perseguir depois de uma discussão ou separação;
  12. reagir de maneira agressiva quando você estabelece limites.

Uma situação isolada precisa ser compreendida dentro de seu contexto. O alerta aumenta quando diferentes comportamentos se repetem e passam a provocar medo, insegurança ou perda de autonomia.

“Mas ele nunca me bateu”

Essa frase pode esconder uma situação muito mais séria.

Violência psicológica também pode destruir uma mulher aos poucos.

Comentários constantes sobre sua aparência, inteligência ou capacidade podem fazer com que ela comece a duvidar de si mesma.

Ameaças, chantagens, humilhações, isolamento, vigilância e manipulação estão expressamente contemplados na definição de violência psicológica da Lei Maria da Penha.

Uma relação não precisa chegar à agressão física para merecer atenção.

Informação também faz parte da prevenção

Conhecer melhor alguém antes de aprofundar um relacionamento pode ser uma atitude preventiva.

Hoje existem informações públicas disponibilizadas pelos tribunais e por outros sistemas oficiais que permitem pesquisar determinados registros judiciais.

O Radar Feminino utiliza justamente informações disponíveis legalmente em fontes públicas para facilitar esse tipo de consulta.

O CPF é utilizado para melhorar a precisão da identificação e reduzir problemas com pessoas de nomes iguais ou semelhantes.

Depois, a tecnologia cruza e organiza os dados encontrados e produz um relatório mais simples de compreender, reduzindo o excesso de termos jurídicos.

O que uma consulta pode mostrar?

Dependendo das informações disponíveis nas fontes públicas consultadas, podem aparecer processos e outros registros relacionados à pessoa pesquisada.

Isso pode ajudar uma mulher a descobrir informações que não foram espontaneamente contadas.

Imagine, por exemplo, alguém que afirma nunca ter enfrentado problemas com a Justiça, mas apresenta registros públicos que contradizem essa história.

A informação não significa automaticamente que aquela pessoa seja culpada ou perigosa.

Aparecer em um processo não é o mesmo que possuir uma condenação.

O resultado deve sempre ser observado considerando o assunto, a posição ocupada pela pessoa no processo, a situação atual e as decisões existentes.

A consulta serve para informar, não para condenar.

Nenhum processo encontrado também não significa risco zero

Esse cuidado é igualmente importante.

A ausência de processos não garante que uma pessoa terá um comportamento saudável.

Existem situações de abuso que nunca foram denunciadas. Também existem processos sob sigilo ou informações que podem não estar disponíveis publicamente.

Por isso, a consulta deve ser vista como uma camada adicional de informação, e não como garantia absoluta de segurança.

Observe também o comportamento.

Sua liberdade é respeitada?

Você consegue dizer não?

Pode manter suas amizades?

Sente-se segura para expressar opiniões?

Ele respeita seus limites?

Essas perguntas continuam importantes independentemente do resultado de uma consulta.

Mulheres precisam de outras mulheres

Um dos grandes riscos de um relacionamento abusivo é o isolamento.

A mulher pode começar a esconder aquilo que está acontecendo porque sente vergonha, medo ou acredita que ninguém compreenderá.

Em outros casos, o próprio parceiro trabalha para afastá-la de amigas e familiares.

É por isso que uma comunidade feminina de proteção e apoio pode fazer tanta diferença.

Quando mulheres compartilham informação e conhecimento, fica mais fácil perceber que determinadas situações não precisam ser normalizadas.

Uma amiga pode enxergar aquilo que o envolvimento emocional dificulta perceber.

Uma experiência compartilhada pode ajudar outra mulher a reconhecer um comportamento.

Uma orientação recebida no momento certo pode provocar uma mudança de decisão.

É essa a proposta do Radar Feminino

O Radar Feminino não pretende ser apenas uma plataforma para consultar processos.

A consulta é uma das ferramentas dentro de uma proposta maior de informação, prevenção, conscientização e fortalecimento feminino.

A plataforma reúne recursos para que mulheres possam:

  1. conhecer informações públicas antes de tomar decisões importantes;
  2. compreender melhor os resultados encontrados;
  3. aprender a identificar sinais de alerta;
  4. refletir sobre seus relacionamentos;
  5. acessar conteúdos de prevenção;
  6. participar de uma comunidade feminina;
  7. encontrar recursos para autoestima e recomeço.

A informação sobre o outro pode ser importante.

Mas fortalecer a mulher que está buscando essa informação é igualmente necessário.

Não espere descobrir tarde demais

O Agosto Lilás nos lembra que enfrentar a violência contra a mulher também significa falar sobre aquilo que acontece antes da agressão mais grave.

Significa ensinar sobre limites.

Significa reconhecer violência psicológica.

Significa preservar a independência financeira.

Significa manter amigas e familiares por perto.

Significa fazer perguntas quando uma história parece não combinar.

E também significa buscar informações quando existe uma dúvida legítima.

Nenhuma mulher deveria precisar descobrir tudo sozinha.

Agosto Lilás termina. A prevenção precisa continuar.

A campanha acontece em agosto, mas seus ensinamentos precisam acompanhar as mulheres durante todo o ano.

A Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026 e continua sendo um dos principais instrumentos brasileiros de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao longo dessas duas décadas, a própria legislação continuou evoluindo, inclusive com novas formas de proteção e com a inclusão da violência vicária em 2026.

Mas nenhuma lei atua sozinha.

Precisamos de informação, políticas públicas, redes de proteção, famílias, amigas e comunidades dispostas a não normalizar a violência.

No Radar Feminino, acreditamos que prevenção começa quando uma mulher tem acesso a mais elementos para decidir sobre a própria vida.


Observe os sinais. Procure informação. Mantenha sua rede de apoio. E não enfrente uma situação difícil completamente sozinha.


Ele não é quem parece? Ligue o Radar.


Fonte: Lei nº 11.340/2006 — Lei Maria da Penha; Lei nº 14.448/2022 — Agosto Lilás; Lei nº 15.384/2026.

Tags: Agosto Lilás Lei Maria da Penha violência contra a mulher violência psicológica violência vicária prevenção à violência comunidade feminina consulta de processos proteção feminina Radar Feminino

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