PROTEÇÃO E PREVENÇÃO

Sinal silencioso de socorro: gesto usado por menina no Paraná mostra por que famílias devem conhecê-lo

Caso de menina de 9 anos no Paraná mostra a importância do sinal silencioso de socorro. Aprenda como funciona o gesto e saiba como agir ao reconhecê-lo.

Sinal silencioso de socorro: gesto usado por menina no Paraná mostra por que famílias devem conhecê-lo

Um gesto simples pode comunicar aquilo que uma pessoa não consegue dizer em voz alta

Uma situação registrada recentemente no Paraná chamou atenção para uma ferramenta de segurança que ainda é desconhecida por muitas famílias: um sinal silencioso feito com apenas uma das mãos para indicar que a pessoa precisa de ajuda.

Uma menina de 9 anos utilizou o gesto durante uma situação de risco em Curitiba. Um primo adolescente reconheceu o sinal, procurou ajuda de adultos em um estabelecimento próximo e as forças de segurança foram acionadas.

O episódio foi noticiado pelo ClickFato na reportagem Menina de 9 anos usa sinal silencioso de socorro e ajuda leva à prisão de suspeito no Paraná, que relata que o gesto havia sido ensinado anteriormente pela avó da criança.

O caso deixa uma reflexão importante para mães, responsáveis, mulheres e famílias em geral:

às vezes, ensinar uma forma simples e discreta de pedir ajuda pode fazer diferença justamente quando falar não é uma opção segura.

O que é o sinal silencioso de pedido de ajuda?

Conhecido internacionalmente como Signal for Help, o gesto foi criado pela Canadian Women's Foundation em 2020, inicialmente diante do aumento das preocupações com violência de gênero durante o período de isolamento da pandemia.

A proposta é simples.

Permitir que uma pessoa sinalize discretamente que precisa que alguém entre em contato com ela de maneira segura e ofereça apoio, especialmente quando não é possível falar abertamente.

Não exige celular.

Não deixa necessariamente um registro digital.

E pode ser realizado com apenas uma mão.

Como fazer o gesto de pedido de socorro?

O movimento possui três etapas simples:

1. Mostre a palma da mão

A mão fica aberta e voltada para a pessoa que deverá perceber o sinal.

2. Dobre o polegar sobre a palma

O polegar é colocado para dentro da mão.

3. Feche os outros dedos sobre o polegar

Os quatro dedos descem sobre o polegar, formando um punho.

O movimento deve acontecer de maneira contínua.

A reportagem do ClickFato descreve exatamente essa sequência no caso ocorrido em Curitiba.

Por que crianças também deveriam conhecer formas seguras de pedir ajuda?

Grande parte da educação sobre segurança infantil costuma se concentrar em algumas orientações tradicionais:

“não converse com estranhos”.

“não aceite presentes”.

“não entre no carro de alguém”.

“procure um adulto se estiver com medo”.

Todas são conversas importantes.

Mas situações reais nem sempre acontecem de maneira tão simples.

Às vezes, a criança pode estar perto da pessoa que representa o risco.

Pode sentir medo de falar.

Pode acreditar que será impedida de pedir ajuda.

Ou pode não conseguir explicar rapidamente o que está acontecendo.

Ter uma alternativa previamente combinada com a família pode ampliar suas possibilidades de reação.

O caso do Paraná mostra a importância de ensinar antes de precisar

Um dos aspectos mais relevantes do episódio ocorrido em Curitiba é justamente esse.

Segundo a reportagem do ClickFato, a avó havia ensinado o sinal aos netos depois de conhecer o gesto pela televisão.

Quando a menina precisou utilizá-lo, o primo soube interpretar.

Leia os detalhes do caso publicado pelo ClickFato

A sequência mostra como informação compartilhada anteriormente pode ser útil em uma situação inesperada.

Não foi necessário aprender o gesto no momento do perigo.

A criança já sabia o que fazer.

E alguém próximo também sabia reconhecer.

Não basta ensinar o sinal: alguém precisa saber reconhecê-lo

Esse é um ponto essencial.

Um código de emergência só funciona se outras pessoas entenderem o seu significado.

Por isso, pode ser útil que diferentes integrantes da família conheçam o gesto:

  1. crianças;
  2. adolescentes;
  3. pais;
  4. mães;
  5. avós;
  6. irmãos;
  7. professores e educadores;
  8. pessoas responsáveis por acompanhar a criança.

Não é necessário apresentar o assunto de forma assustadora.

A explicação pode ser simples:

“Se algum dia você estiver com medo e não conseguir falar, existe uma forma de mostrar que precisa de ajuda.”

Ver o sinal significa chamar imediatamente a polícia?

Não necessariamente em todas as situações.

A própria organização responsável pelo Signal for Help explica que o gesto significa essencialmente:

“entre em contato comigo de forma segura”.

A orientação é avaliar o contexto, procurar uma maneira segura de se comunicar e ouvir o que a pessoa precisa.

Isso é especialmente importante em situações de violência doméstica, nas quais uma reação precipitada pode aumentar o risco.

Mas uma situação de perigo imediato é diferente

Quando existe risco imediato à integridade física ou uma situação de emergência acontecendo naquele momento, os serviços de emergência devem ser acionados.

No caso da menina no Paraná, o primo buscou adultos em um estabelecimento próximo e a Guarda Municipal foi acionada.

O que fazer se uma criança utilizar o sinal?

O contexto sempre importa, mas algumas atitudes podem ajudar.

Procure um ambiente seguro

Se for possível retirar a criança da situação sem aumentar o risco, priorize um local protegido.

Não confronte impulsivamente uma pessoa suspeita

Dependendo da situação, o confronto pode aumentar o perigo.

Buscar apoio de outros adultos ou das autoridades pode ser mais seguro.

Escute sem pressionar

Permita que a criança explique o que aconteceu no seu próprio ritmo.

Evite transformar o primeiro momento em um interrogatório.

Procure os canais adequados

Em uma emergência ou situação de risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.

Casos de violência ou violações dos direitos de crianças e adolescentes também podem ser denunciados pelo Disque 100. O Ministério dos Direitos Humanos reforça que a proteção de crianças e adolescentes é responsabilidade compartilhada entre família, comunidade, instituições e poder público.

O sinal também pode ser usado por mulheres em situação de violência

Embora o caso recente envolva uma criança, a origem do gesto está diretamente relacionada à proteção diante da violência de gênero.

Uma mulher pode utilizá-lo durante:

  1. uma videochamada;
  2. uma conversa presencial;
  3. um atendimento;
  4. um encontro com familiares;
  5. outras situações nas quais falar diretamente represente risco.

O gesto não substitui os serviços de proteção.

É apenas uma possibilidade adicional de comunicação.

E se uma mulher pedir ajuda?

No Brasil, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 funciona gratuitamente 24 horas por dia, todos os dias da semana.

O serviço fornece orientação sobre direitos e serviços da rede de atendimento, além de receber e encaminhar denúncias.

Em uma situação de emergência ou quando a violência estiver ocorrendo naquele momento, a orientação oficial é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Códigos familiares também podem ajudar

Além de conhecer o sinal com a mão, famílias podem estabelecer formas simples de comunicação para situações desconfortáveis.

Por exemplo, uma palavra previamente combinada.

Uma frase específica enviada por mensagem.

Uma pergunta cuja resposta tenha significado conhecido pela família.

O importante é que o recurso:

  1. seja fácil de lembrar;
  2. seja conhecido pelas pessoas que precisam reconhecê-lo;
  3. não coloque a criança ou a mulher em risco adicional;
  4. seja revisto ocasionalmente para que todos se lembrem.

Segurança não deve ser ensinada apenas por meio do medo

Existe um equilíbrio importante ao conversar sobre proteção com crianças.

O objetivo não é transmitir a ideia de que qualquer pessoa representa uma ameaça.

Nem fazer com que a criança tenha medo permanente de sair de casa.

A intenção é oferecer ferramentas.

Ela precisa saber que pode dizer não.

Que determinadas situações não devem ser mantidas em segredo.

Que pode procurar um adulto de confiança.

E que existem maneiras de pedir ajuda quando não consegue falar diretamente.

Também ensine a criança a identificar adultos seguros

Em uma emergência, crianças podem precisar procurar alguém que não conhecem.

Por isso, a orientação “nunca fale com estranhos” pode ser insuficiente quando apresentada isoladamente.

É útil explicar como buscar ajuda em locais movimentados ou procurar profissionais e adultos que possam acionar os responsáveis ou serviços de emergência.

O foco deve estar em reconhecer situações e procurar proteção.

Informação simples pode se transformar em prevenção

O episódio ocorrido no Paraná demonstra algo que está no centro da proposta do Radar Feminino:

informação é uma ferramenta de prevenção.

Nem toda situação de risco pode ser prevista.

Nem todo perigo pode ser evitado.

Mas conhecer recursos disponíveis aumenta as possibilidades de reação.

Ensinar um gesto leva poucos minutos.

Aprender a reconhecê-lo também.

E, como mostrou o caso divulgado pelo ClickFato, uma informação aparentemente pequena pode se tornar extremamente importante quando alguém precisa pedir ajuda sem conseguir dizer uma palavra.

Compartilhar o sinal também é uma forma de proteção

Talvez você nunca precise utilizar esse gesto.

Talvez seus filhos também nunca precisem.

Esse é o melhor cenário.

Mas conhecer não causa prejuízo.

Por isso, depois de aprender, mostre para outras pessoas da família.

Ensine aos adolescentes.

Converse com as crianças de maneira apropriada para a idade.

E explique principalmente o significado:

“Se alguém fizer esse sinal para você, preste atenção. Essa pessoa pode estar tentando dizer que precisa de ajuda.”

Prevenção não significa viver com medo.

Significa saber o que fazer quando uma situação exige reação.

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