Anônima

"A amante era a minha melhor amiga.
Eu passei duas semanas chorando no banheiro para ele não ver, mas decidi que não ia sair por baixo. Não ia fazer barraco em casa para ele negar tudo e me chamar de louca. Como o aniversário de 30 anos dele estava chegando, resolvi organizar uma 'festa surpresa'.
Falei para ele que seria uma reuniãozinha só para os mais íntimos, mas na verdade convidei a família dele inteira, os pais dele, os nossos amigos do trabalho e, claro, fiz questão de exigir a presença da 'minha amiga'. Ela chegou toda sonsa, me abraçou, comprou presente para ele. Eu sorri e fingi que estava tudo bem.
Contratei um buffet, decorei a casa, comprei bebidas. Meu marido chegou e fingiu surpresa, todo feliz, se achando o homem mais amado do mundo. A festa rolou normal por duas horas. O clima estava ótimo.
Até que chegou a hora dos parabéns. Todo mundo se juntou ao redor da mesa do bolo. Meu marido me puxou pelo braço, me deu um beijo e agradeceu na frente de todos por eu ser a 'mulher da vida dele'.
Foi aí que eu peguei o microfone do DJ.
Agradeci a presença de todo mundo e disse: 'Gente, o aniversário é dele, mas quem ganhou o maior presente fui eu. Descobri recentemente o quanto o meu marido é um homem generoso, que adora compartilhar tudo o que tem... inclusive o nosso casamento.'
Nisso, eu puxei da minha bolsa várias sacolas de presente pequenas. Mas dentro delas não tinha lembrancinha. Tinha um maço de folhas impressas para cada convidado. Eram prints das conversas deles no WhatsApp, fotos dos dois juntos que consegui pegar e até o histórico de localização do carro dele na porta do prédio dela.
Comecei a entregar os saquinhos nas mãos dos meus sogros, dos amigos do trabalho, dos irmãos dele. Falei no microfone: 'Podem abrir, é a retrospectiva do casal.'
O silêncio que ficou na sala foi desesperador. As pessoas começaram a ler os prints em choque. A mãe dele olhava para o papel e para ele sem acreditar. Meu marido ficou completamente estático, a boca dele abriu e ele não conseguia emitir um som. A minha 'amiga' começou a tremer e a chorar na hora.
Olhei bem para os dois e terminei no microfone: 'O bolo e a festa estão pagos, podem aproveitar. A festa agora é de vocês dois. Minhas malas já estão no carro e o meu advogado entra em contato amanhã.'
Deixei o microfone na mesa, peguei a minha chave, saí pela porta da frente e deixei o inferno instaurado naquela sala. Já bloqueei os dois de tudo. O celular da minha mãe não para de tocar com a família dele tentando falar comigo, dizendo que eu passei dos limites e que não precisava ter humilhado os dois dessa forma na frente de todo mundo.
Eu fui errada em expor os dois assim?""

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